#Slay the Spire
A Mega Crit resolveu falar o que muita gente não gosta de ouvir: nem tudo no desenvolvimento de um jogo é empolgante. Casey Yano, cofundador do estúdio, comparou essa fase a uma “sopa” — aquele trabalho de base que não brilha em trailer, mas que segura o jogo inteiro em pé.
Para quem está esperando só cartas novas e efeitos chamativos, é fácil torcer o nariz. Só que, em roguelike de deck, o que separa um vício de um abandono rápido é o equilíbrio, a leitura de tela, o ritmo das lutas e o quanto cada decisão parece justa. Se a “sopa” estiver bem feita, Slay the Spire 2 tem tudo para ser mais redondo, mais claro e mais gostoso de jogar por horas.
Eu prefiro mil vezes um Slay the Spire 2 bem temperado do que um monte de novidade que cansa em uma semana. No fim, o que fica é a base.
Quem joga
Slay the Spire
sente que tudo “encaixa”: cartas, relíquias, inimigos e rotas. O curioso é que esse acerto não veio de empilhar ideias, e sim de eliminar um monte delas. A equipe da Mega Crit contou que o desenvolvimento passou por muita poda: mecânicas inteiras, cartas e sistemas foram testados e descartados quando atrapalhavam o ritmo ou deixavam a leitura confusa.
Isso explica por que
Slay the Spire
é tão fácil de entender e tão difícil de dominar. Quando o jogo remove o que é barulhento, sobra espaço para decisões limpas: comprar essa carta agora? Guardar ouro? Arriscar um elite? Cada escolha pesa.
Eu curto essa filosofia. Em deckbuilder roguelike, excesso vira bagunça rápido. Cortar conteúdo dá trabalho e dó, mas é o tipo de decisão que separa um projeto “cheio” de um jogo realmente viciante. No fim, o melhor design quase sempre parece simples — e quase nunca é.
Slay the Spire voltou a chamar atenção e atingiu um pico histórico de jogadores simultâneos na Steam. O jogo chegou a mais de 57 mil jogadores ao mesmo tempo, bem acima do recorde anterior de pouco mais de 33 mil, registrado quando entrou em acesso antecipado. Depois do salto, os números cairam e se estabilizaram em cerca de 35 mil, ainda um pouco acima do recorde antigo.
Vários fatores parecem ter levado a essa onda de jogadores. Uma promoção de inverno deixou o jogo com um preço muito baixo e atraiu quem estava de olho em boas ofertas. Além disso, o anúncio de Slay the Spire 2 fez muita gente revisitar o original para treinar estratégias ou simplesmente matar a curiosidade. O lançamento de uma versão de tabuleiro também pode ter trazido novos fãs para a franquia.
No fim, é a qualidade do jogo que explica a longevidade: a mistura de construção de baralhos com elementos roguelike cria combos poderosos e momentos surpreendentes que mantêm a graça. Para quem nunca jogou, é uma ótima hora para começar; para veteranos, é mais um motivo para voltar ao topo das masmorras. Slay the Spire segue disponível na Steam e a expectativa por Slay the Spire 2 só aumenta.
Slay the Spire virou referência no gênero deckbuilding e não saiu do top dos melhores jogos por anos. Agora, a sequência promete desafiar esse reinado: Slay the Spire 2 estreia em early access em março de 2026 e vem com mais de tudo desde o começo. Curiosamente, a continuação quase não existiu — a Mega Crit Games decidiu entre dois projetos jogando cara ou coroa durante a pandemia.
O cofundador Anthony Giovannetti contou em entrevista que eles vinham trabalhando em vários protótipos e precisavam escolher um caminho: um jogo totalmente diferente ou uma sequência de Slay the Spire. A escolha foi feita numa chamada por voz, quando o colega anunciou o resultado da moeda; Giovannetti admite que talvez nem tenha visto a moeda. Casey Yano, outro cofundador, preferia o projeto alternativo, mas acabou aceitando o ‘assunto inacabado’ que virou a sequência.
Yano explica que começar com tecnologia nova facilita colocar ideias que eram difíceis nas atualizações do primeiro jogo. Ele também adianta que o early access terá muitos chefes, inimigos e eventos, possivelmente mais do que o primeiro ofereceu em seu lançamento. O desenvolvimento já dura mais de quatro anos, e os criadores evitam dar spoilers. E você, vai entrar no early access de Slay the Spire 2 assim que sair ou prefere esperar pela versão final?