Pippa of Caerbannog: o Jogo Grátis Baseado em Monty Python que Vai Testar (e Destruir) Sua Paciência
Gente, eu preciso falar sobre esse jogo AGORA. Lançou há só dois dias, é totalmente grátis, e já vou avisando: ele vai te deixar puto. Mas do jeito bom. Pippa of Caerbannog chegou na Steam parecendo ter sido criado com uma única missão — te fazer gritar com a tela — e mesmo assim conquistou os primeiros jogadores com uma avaliação “Muito Positiva”. Sim, o jogo que existe pra te frustrar está sendo elogiado por isso. E depois de ver do que se trata, eu entendo perfeitamente por quê.
Um platformer de precisão inspirado em Monty Python e o Cálice Sagrado
A ideia é simples no papel: você controla Pipkin Pippa numa busca pelo Santo Graal, subindo cinco fases inspiradas no caos genial de “Monty Python e o Cálice Sagrado”. Na prática? Isso aqui é um platformer de precisão raiz, dos que não perdoam. Escorregou? Volta pro início da fase. Perdeu o timing do pulo? Volta pro início da fase. Existe? Também volta pro início da fase (brincadeira… ou não). O próprio jogo se autodescreve como “enfurecedor” — e olha, raramente vi um jogo assumir tão bem a própria proposta.

E tem mais: você escolhe entre três níveis de dificuldade chamados, sem nenhuma vergonha, de “hard”, “harder” e “much harder”. Não tem modo fácil de mentirinha aqui, é osso puro. A descrição oficial resume tudo com uma sinceridade que eu respeito muito: “aproveite perder todo o seu progresso, repetidas vezes.” Gente, isso é quase um convite pra sofrer — e eu, particularmente, tô dentro.
Por que esse jogo já está bombando
Beleza, mas por que um jogo criado pra te destruir psicologicamente está sendo tão bem recebido? Porque tem um público MUITO específico pra esse tipo de coisa, e Pippa of Caerbannog sabe exatamente pra quem está falando.
Um dos primeiros a jogar comparou a experiência a um “foddian game” raiz — pra quem não manja do termo, é a categoria batizada em homenagem a Getting Over It, sinônimo de dificuldade quase punitiva, do tipo que separa quem realmente curte esse gênero de quem só está sofrendo à toa. E olha, a recomendação veio junto: se você é do time que curte se masoquizar assim, é bem provável que ame isso aqui. Outro jogador resumiu o clima com uma piada sensacional, chamando de “rage game com modo fácil (leia-se: checkpoints) pros fracos” — e sim, o sarcasmo é parte do charme.

O que mais me pegou, porém, foi a estética. Uma review descreveu o visual como aquele clima nostálgico de joguinho de navegador jogado escondido no laboratório de informática da escola — sabe aquela vibe? — e ainda emendou, no mesmo tom irônico, uma piadinha sobre o jogo ter mais “lore” que Warhammer 40k e Dune juntos. E teve gente que foi além: uma avaliação inteira escrita em inglês arcaico, estilo shakespeariano, num nível de compromisso com o tema medieval que eu só posso aplaudir de pé. Nela, o jogador elogiou a variedade das fases e a otimização impecável (zero travamento, zero lag), mas apontou uma falha bem específica: a espada da Pippa às vezes não gruda direito nas bordas das plataformas, e em vez de te salvar, te joga direto pro abismo. Detalhezinho, mas quem já morreu por causa de física de jogo entende a dor.
E o melhor de tudo: é gratuito. Zero desculpa pra não baixar agora. Nenhum “será que vale o preço” — é só você, seu ego, e uma fase que provavelmente vai te matar umas quinze vezes antes do primeiro checkpoint de verdade.
Vale a pena baixar?
Sinceramente? SIM, com todas as letras. Se você curte um desafio de verdade — do tipo que te faz gritar sozinho no quarto às 2 da manhã —, se você tem paciência de sobra (ou quer testar até onde ela vai), ou só quer rir das referências a um dos filmes mais icônicos do humor britânico, baixa esse jogo agora. É grátis, instala rapidinho, e a recepção calorosa da comunidade nesses primeiros dias já mostra que ele entrega exatamente o que promete: uma dose generosa — e hilária — de frustração pura.
Vai lá, sofre com a gente. O jogo está disponível gratuitamente na página oficial da Steam.
Imagine uma festa do pijama onde todo mundo é uma geleia colorida, o objetivo é roubar sabonete dos amigos, e a única regra é: cores iguais se atraem, cores diferentes se explodem uma pra longe da outra. Parece bobagem. É bobagem. E é exatamente por isso que Jelly Bubble, lançado ontem na Steam pela desenvolvedora BINGOBELL, já está conquistando quem experimentou o caos nas primeiras 24 horas.
Do que se trata esse jogo de geleias brigando por sabonete?
A premissa é simples de explicar e impossível de descrever sem rir no meio da frase: você controla uma criaturinha de geleia fofa, mas o clima é qualquer coisa menos pacífico. Pelo mapa espalham-se pedaços de sabonete — e sabonete, aqui, é poder. Cada pedaço coletado deixa sua geleia mais forte e maior, mas também mais visada: qualquer oponente pode roubar tudo o que você acabou de conquistar em um segundo.
O truque está na mecânica de cores. Geleias da mesma cor se atraem — o que é ótimo para se aproximar de um alvo e roubar seus recursos, ou até “absorver” um adversário inteiro. Já cores diferentes se repelem, e isso vira arma e escudo ao mesmo tempo: dá para usar a repulsão para escapar de uma emboscada ou empurrar alguém direto para fora do mapa. Trocar de cor no momento certo é o que separa quem vence de quem vira estatística.
Co-op, competição, e um editor de mapas para zoar com os amigos
Se você está procurando um jogo pra chamar a galera, esse aqui parece ter sido desenhado exatamente para isso. Jelly Bubble suporta:
- Até 6 jogadores online, com suporte cross-platform
- De 2 a 4 jogadores no modo local, split screen — ideal pra sofá lotado
- Modos competitivos e cooperativos, então dá pra jogar contra os amigos ou lado a lado
- Mais de 20 tipos de sabonete, cada um com um efeito diferente (alguns empurram inimigos, outros trocam posições, outros salvam sua pele em cima da hora)
- Editor de mapas próprio, pra criar desde uma arena só de trampolins até uma pista de corrida turbinada — e compartilhar com a comunidade
É esse combo — regra simples, visual fofo, caos garantido e liberdade total pra criar seus próprios mapas malucos — que está fazendo o jogo ganhar tração tão rápido logo na estreia.
Vale a pena testar agora?
Jogos de festa vivem e morrem pela primeira impressão: se a diversão não é imediata, ninguém dá uma segunda chance. Jelly Bubble parece ter acertado essa fórmula logo de cara, e o burburinho positivo em torno do lançamento reforça isso. Se você tem um grupo de amigos (ou uma casa cheia) procurando o próximo jogo pra gritar e rir junto, essa geleia colorida acabou de entrar na lista de prioridades.
Alguns jogos chamam atenção logo no primeiro trailer. Realm of Ink é um deles. A direção de arte inspirada em pinturas orientais e a estética que parece uma aquarela em movimento impressionam desde os primeiros minutos. A boa notícia é que o jogo não depende apenas do visual para convencer. Existe bastante conteúdo por trás dessa apresentação impecável.
Realm of Ink é um roguelite de ação em que cada partida serve para fortalecer sua personagem e desbloquear novas possibilidades para a próxima tentativa. A estrutura é familiar para quem gosta do gênero, mas consegue criar identidade própria através da ambientação inspirada na cultura chinesa e do enorme número de habilidades disponíveis.

O visual é simplesmente fantástico
Já disse que o gráfico é lindo?
Porque vale repetir. Realm of Ink é facilmente um dos jogos mais bonitos do gênero. Os cenários são extremamente detalhados, os efeitos de partículas deixam os combates muito mais impactantes e a direção artística consegue criar uma identidade própria sem tentar buscar realismo.
O melhor de tudo é que essa qualidade visual não cobra um preço alto em desempenho.
No Legion Go, o jogo rodou na resolução máxima durante toda a jogatina, mantendo excelente fluidez e sem qualquer engasgo. É o tipo de otimização que a gente gostaria de ver com mais frequência em jogos para PC.

Combate preciso e muita variedade
Os controles são relativamente simples de aprender e a resposta dos comandos é extremamente precisa, algo fundamental para um roguelite onde qualquer erro pode custar uma partida inteira.
Conforme você avança, o jogo começa a mostrar sua verdadeira profundidade. Existe uma quantidade enorme de habilidades, melhorias e combinações possíveis, o que faz cada tentativa ser um pouco diferente da anterior.
Esse sistema incentiva bastante a experimentação, permitindo criar estilos de jogo completamente distintos dependendo das escolhas feitas durante a partida.
É justamente essa variedade que aumenta bastante o fator replay.

O sistema de progressão poderia ser mais claro
Se existe um ponto que me incomodou, foi a forma como o jogo apresenta algumas de suas mecânicas.
O sistema de troca de habilidades e dos ajudantes acaba sendo um pouco confuso no começo. O problema não está na complexidade em si, mas na falta de informações suficientes para tomar decisões conscientes.
Muitas vezes você recebe uma nova habilidade sem entender exatamente o que ela faz ou qual seu potencial em comparação com a que já possui. Isso transforma escolhas importantes em praticamente um chute, principalmente nas primeiras horas.
Depois de algum tempo a situação melhora naturalmente, conforme você conhece cada habilidade, mas a curva inicial poderia ser muito mais amigável.
Também fiquei com a impressão de que o sistema de itens poderia ser melhor explicado. Pelo menos durante o tempo que joguei, parecia que bastava coletá-los sem precisar tomar grandes decisões sobre gerenciamento ou substituição. Pode existir uma profundidade maior mais adiante, mas ela não fica muito evidente no início da campanha.
Vale o seu tempo
Realm of Ink é um excelente roguelite que consegue equilibrar combate rápido, controles precisos, enorme variedade de builds e uma direção artística simplesmente espetacular.
A quantidade de habilidades disponíveis faz com que cada partida ofereça novas possibilidades, enquanto a ótima otimização garante uma experiência extremamente fluida até mesmo em dispositivos portáteis como o Legion Go.
Minha única ressalva fica para a forma como algumas mecânicas são apresentadas ao jogador. O sistema de habilidades e ajudantes poderia explicar melhor o impacto de cada escolha, evitando que as primeiras decisões pareçam aleatórias.
Fora isso, encontrei um jogo extremamente competente. Se você gosta de roguelites no estilo Hades, mas procura algo com uma identidade visual completamente diferente e um foco ainda maior em variedade de builds, Realm of Ink merece um lugar na sua biblioteca. É um daqueles casos em que a primeira impressão já é excelente — e, felizmente, o restante do jogo consegue acompanhar esse nível.
Existe um tipo de jogo que não tenta reinventar o gênero, mas entende tão bem seus fundamentos que consegue prender você do começo ao fim. Vultures: Scavengers of Death é exatamente esse tipo de experiência. Se você gosta de jogos de tabuleiro como Zombicide, provavelmente vai se sentir em casa aqui. A estrutura é diferente, mas a sensação de planejar cada movimento, administrar recursos e sobreviver contra uma horda de zumbis é muito parecida.
A proposta mistura estratégia em turnos com sobrevivência e terror. Você controla um pequeno grupo de agentes enviados para uma cidade devastada por uma infecção, onde cada munição, cada kit médico e cada decisão fazem diferença. Em vez de sair eliminando tudo que aparece pela frente, o jogo frequentemente faz você pensar se vale mesmo a pena entrar em combate ou simplesmente encontrar uma rota segura até o próximo objetivo. Essa administração constante de recursos acaba criando uma tensão que combina muito bem com o clima de apocalipse zumbi.

Cada personagem realmente muda a forma de jogar
Um dos maiores acertos de Vultures está na construção dos personagens. Não são aquelas diferenças superficiais de alguns pontos em atributos. Cada integrante possui habilidades que realmente alteram a maneira como você encara os confrontos e resolve os problemas do mapa.
Isso faz com que montar sua equipe seja quase tão importante quanto executar os turnos. Algumas habilidades favorecem abordagens mais agressivas, enquanto outras recompensam um estilo mais cauteloso e estratégico. Conforme novas possibilidades aparecem, o jogo incentiva experimentar diferentes combinações em vez de simplesmente repetir sempre a mesma estratégia.
Outro ponto positivo é a quantidade de ações disponíveis em cada turno. No início isso pode até assustar. Existe um leque enorme de possibilidades, e entender quando correr, atacar, empurrar inimigos, usar habilidades ou simplesmente economizar recursos leva um tempo. A curva de aprendizado é relativamente alta, mas também é justamente isso que faz cada vitória parecer merecida.
Um survival horror onde pensar vale mais do que atirar
Apesar dos zumbis serem o foco, Vultures não é um jogo sobre exterminar tudo pela frente. A sensação é muito mais próxima dos clássicos survival horrors dos anos 90, onde sobreviver importa mais do que limpar o mapa inteiro.
Em vários momentos percebi que evitar confrontos era simplesmente a decisão mais inteligente. O gerenciamento de munição e recursos cria uma tensão constante, enquanto a exploração recompensa quem presta atenção ao ambiente. É um ritmo bem diferente dos jogos modernos de ação, e isso acaba dando personalidade ao projeto.
Os gráficos são sinceros. Não tentam impressionar pela tecnologia, mas cumprem muito bem seu papel ao construir uma atmosfera pesada e transmitir a sensação de isolamento. O estilo artístico conversa bastante com a proposta retrô do jogo e funciona melhor do que eu esperava.

No Legion Go, só um detalhe atrapalhou
No Legion Go, o desempenho foi excelente. O jogo é bastante leve e rodou sem qualquer problema durante os testes.
Infelizmente existe um detalhe que pesa bastante: não há suporte nativo para controle. Como o Legion Go naturalmente convida a jogar utilizando os controles integrados, isso acaba comprometendo parte da experiência. É perfeitamente possível jogar adaptando os comandos, mas fica claro que o título foi pensado para teclado e mouse. Considerando o restante da experiência, esse talvez seja o ponto que mais senti falta.
Também vale destacar que o jogo chega com interface em português brasileiro, algo sempre bem-vindo para um RPG tático com tantas mecânicas e informações na tela.

Vale o seu tempo
Vultures: Scavengers of Death não tenta revolucionar os jogos táticos em turnos, mas também não precisa disso para funcionar. Ele pega ideias conhecidas, executa muito bem seus sistemas e entrega um combate estratégico que recompensa planejamento muito mais do que improviso.
A curva de aprendizado pode assustar nas primeiras partidas, principalmente pela quantidade de opções disponíveis em cada turno, mas depois que tudo começa a fazer sentido o jogo revela uma profundidade bastante interessante. Some isso a personagens realmente diferentes entre si, boa administração de recursos e uma atmosfera que lembra os clássicos survival horrors, e você tem um jogo que consegue prender por muitas horas.
Minha única crítica fica para a ausência de suporte a controles, algo que faz bastante falta principalmente em dispositivos portáteis como o Legion Go. Tirando isso, encontrei um jogo sólido, competente e fácil de recomendar para quem gosta de estratégia em turnos, sobrevivência e, principalmente, de enfrentar hordas de zumbis pensando antes de agir.
No fim das contas, Vultures: Scavengers of Death é aquele tipo de jogo que talvez não chame atenção pelos gráficos ou pela inovação, mas conquista justamente pela qualidade da sua execução. E às vezes isso é exatamente o que basta.
A Steam não parou de receber novidades gratuitas nos últimos dias, e a lista desta semana tem de tudo um pouco: RPGs de mundo aberto, terror psicológico, simuladores relaxantes e até um jogo sobre cuidar de um cachorro que esconde muito mais do que parece. Separamos os principais lançamentos para você não perder nada.
Destaques
Quem procura algo com fôlego para explorar por muitas horas vai se interessar por NTE: Neverness to Everness, o RPG de mundo aberto urbano desenvolvido pela Hotta Studio. A trama coloca o jogador como um caçador de anomalias sem licença na cidade de Hethereau, um lugar onde humanos e seres sobrenaturais dividem o mesmo espaço. Além da exploração livre pelas ruas neon da cidade, o jogo aposta em um elenco de companheiros carismáticos e em uma trilha de missões que mistura humor, romance e mistério urbano.

Na outra ponta, para quem prefere histórias mais intimistas (e não tem medo de um pouco de peso emocional), Our Wonderland chegou à Steam em uma versão remasterizada. É uma visual novel de horror-fantasia que acompanha um grupo de amigos de infância arrastado de volta a um mundo mágico que conheceram quando crianças — só que agora esse lugar se transformou em algo bem mais sombrio. A obra, originalmente lançada de forma episódica, ganhou arte refeita e diversos ajustes de qualidade de vida nesta chegada à plataforma.

Os fãs de construção e defesa de base têm em Built by Day, Bitten by Night uma mistura curiosa: de dia, você ergue vilarejos com fazendas, muralhas e torres mágicas; à noite, precisa defender tudo isso de ondas de zumbis, piratas, robôs e até um yeti gigante. O jogo está em acesso antecipado e já soma quatro chefes diferentes para enfrentar.

Já quem quer descontar a adrenalina em combates corpo a corpo pode conferir HYPERFIST, um brawler em primeira pessoa de estética punk-rock em que o objetivo é literalmente socar robôs corporativos até o topo da torre da vilã do jogo. É um projeto estudantil do DigiPen Institute of Technology, mas isso não impediu o título de acumular uma recepção muito positiva da comunidade.

Para os que preferem horror com plataforma e quebra-cabeça, Step Lightly coloca você no papel de Rosa, uma criança tentando escapar silenciosamente de uma família abusiva durante a madrugada. É um projeto acadêmico sueco inspirado em Little Nightmares, com foco em furtividade e resolução de puzzles pela casa.

Se twin-stick shooter é mais a sua praia, Unwoven aposta em uma mansão gótica cheia de criaturas amaldiçoadas, visual que mistura Victoriano com toques de Tim Burton e um sistema de dificuldade dinâmica batizado de Fortune, que se adapta ao desempenho do jogador em tempo real.

Na linha de terror psicológico com gestão de tempo, Life & Shadow: Celestial Call – Prologue prende o jogador em um observatório isolado no topo de uma montanha, alternando entre tarefas cotidianas durante o dia e investigação dos segredos sombrios do porão durante a noite.

Já Micronova parte para um caminho mais leve: um plataformer de exploração em que você controla uma pequena exploradora chamada Novi-01 dentro de um ecossistema microscópico que reage a cada movimento seu, cheio de quebra-cabeças baseados em física.

Fãs de simuladores de vida com pitada de mistério vão gostar de Safe Haven Repair Station, onde você comanda uma oficina de reparos em uma cidade cyberpunk condenada, conhecendo clientes excêntricos e resolvendo quebra-cabeças em primeira pessoa enquanto decide o rumo das histórias ao seu redor.

Para uma experiência mais fofa e tranquila, CORGI & WOOLLY – Little Horizon – é um companheiro de desktop: um corgi pastoreando ovelhinhas no canto da tela enquanto você trabalha ou estuda, crescendo o rebanho a cada tecla digitada ou clique do mouse.

Quem gosta de jogos de blefe e mesa vai se divertir com Bardo, uma releitura caprichada de Liar’s Dice para até seis jogadores (ou contra rivais controlados por IA), com rounds especiais em que quem perde a rodada anterior cria a regra seguinte.

Entre as apostas mais autorais da semana está TAKE CARE OF THE DOG, uma história curta e atmosférica sobre acompanhar um cachorro pela casa, recomendada para ser jogada à noite, no escuro, com fone de ouvido — e que guarda camadas bem mais estranhas do que o título sugere.

Para quem curte dramas psicológicos compactos, Prison of Lies é uma visual novel linear e curta: quatro presos condenados são inocentados de repente, mas a prisão precisa cumprir uma cota de execuções — e cabe a eles decidirem, em uma hora, quem vai morrer.

Já Dreaming With Sharks é do tipo que não se explica fácil: você controla um tubarão cirurgião que recebe pílulas misteriosas e passa a enfrentar alucinações intensas durante os procedimentos, transformados em minigames abstratos e bem bizarros.

Por fim, Legends of Starkadia chega como um RPG por turnos com eventos de tempo rápido, dos criadores de Ember Knights. Esta versão gratuita traz apenas o primeiro planeta de uma jornada que promete se expandir por outros dez cenários no futuro.

Denshattack! é um jogo bem peculiar, daqueles que parecem saídos de uma reunião em que alguém disse “e se a gente colocasse manobras de skate em trens em alta velocidade?”. O resultado é uma mistura que lembra Subway Surfers na forma como exige reflexo e troca constante de trilhos, mas também carrega uma alma de Tony Hawk, porque aqui não basta correr: é preciso pontuar, emendar manobras e manter o estilo em movimento.
A jogabilidade gira em torno dessa ideia de velocidade com precisão. Você pula, freia, faz drifts nas curvas, desvia de obstáculos e ainda tenta encaixar truques para somar pontos. O mais interessante é que o jogo não parece querer punir o jogador de forma cruel: quando algo dá errado, você volta alguns metros antes do erro, o que mantém o ritmo acelerado sem transformar a experiência em frustração. É um daqueles jogos que te empurram para frente o tempo inteiro, mas sem te jogar no chão por qualquer deslize.

A sensação é que Denshattack! foi pensado para incentivar o jogador a melhorar sua performance em vez de simplesmente sobreviver até o final da fase. Conforme você aprende o trajeto, começa naturalmente a arriscar mais manobras, explorar caminhos alternativos e aproveitar melhor cada curva. Existe uma satisfação muito grande em completar uma sequência limpa de obstáculos enquanto encaixa truques sem perder velocidade.
Visualmente, o jogo também acerta bastante. Os gráficos cartunescos combinam muito bem com essa pegada futurista inspirada na cultura japonesa, criando um mundo cheio de personalidade. Os cenários passam por cidades gigantescas, áreas rurais, regiões montanhosas, vulcões e até trechos sobre o oceano, mantendo a experiência variada durante toda a progressão.
Outro ponto que me agradou foi a precisão dos controles. Em um jogo tão rápido, qualquer atraso nos comandos seria suficiente para estragar a experiência, mas isso não acontece aqui. As respostas são rápidas e consistentes, permitindo que você faça trocas de trilho, drifts e manobras com confiança. Boa parte da diversão vem justamente dessa sensação de domínio conforme você aprende cada percurso.

A trilha sonora acompanha muito bem a proposta, enquanto os efeitos sonoros cumprem seu papel sem exageros. O jogo ainda oferece customização das locomotivas e tudo indica que existem modelos com habilidades próprias, embora eu ainda não tenha avançado o suficiente para confirmar isso. Há também uma história servindo de pano de fundo para toda a aventura, mas até onde joguei ela parece existir apenas para contextualizar o mundo, sem interferir muito na jogabilidade.
No Legion Go, o desempenho foi excelente. Só depois da gravação percebi que a resolução não estava configurada no máximo, mas isso acabou sendo uma escolha acertada para manter os 60 FPS praticamente constantes. Honestamente, em um jogo tão veloz, priorizar a fluidez faz muito mais diferença do que aumentar a resolução.
Outro detalhe positivo é que Denshattack! chega totalmente localizado para português brasileiro, algo que sempre ajuda na acessibilidade e demonstra um cuidado extra dos desenvolvedores.

Vale o seu tempo
Denshattack! consegue transformar uma ideia que parecia absurda em um arcade extremamente divertido. A mistura entre velocidade, reflexos e manobras funciona surpreendentemente bem, e a ausência de punições severas faz com que a experiência permaneça desafiadora sem se tornar frustrante. É o tipo de jogo perfeito para quem gosta de melhorar tempos, bater recordes e dominar cada fase aos poucos.
Minha única ausência sentida foi um modo de tela dividida. Toda a estrutura do jogo parece pedir uma competição local entre amigos para disputar quem consegue a maior pontuação ou a corrida mais limpa. Ainda assim, isso está longe de comprometer o resultado final.
Se você gosta de arcades rápidos, estilosos e diferentes de tudo que costuma aparecer no mercado, Denshattack! entrega exatamente isso. É uma proposta criativa, muito bem executada e com potencial para prender você por muitas horas.
Nos últimos anos surgiram diversos jogos inspirados em Dark Souls, mas poucos conseguem capturar a filosofia da série sem simplesmente copiar suas mecânicas. False Hero, pelo menos na versão Demo que testei, mostra que entende muito bem o que faz um bom soulslike. Em vez de bombardear o jogador com tutoriais, menus e explicações, ele prefere jogar você em um mundo estranho e deixar que a experiência fale por si só.
Desde os primeiros minutos fica claro que a inspiração em Dark Souls vai muito além da dificuldade. Você controla um misterioso ser encapuzado em um mundo sombrio, enfrentando criaturas igualmente enigmáticas em combates que misturam hack and slash, esquivas precisas e muita observação dos padrões dos inimigos. Se sair apertando botões sem pensar, prepare-se para morrer com frequência.
E isso faz parte da proposta.

Assim como nos clássicos da FromSoftware, morrer não é um fracasso, mas parte do aprendizado. O sistema de salvamento também lembra bastante Dark Souls: ao descansar em uma fonte você recupera toda a vida, mas todos os inimigos voltam a aparecer. Em vez de enxergar isso como punição, rapidamente percebi que o sistema incentiva o grind, permitindo acumular uma moeda especial utilizada para melhorar suas habilidades.
Mas é justamente no sistema de progressão que False Hero encontra sua maior personalidade.
Em vez de simplesmente desbloquear golpes em uma árvore de habilidades tradicional, você aprende novas técnicas observando e derrotando seus inimigos. Depois de eliminar diversos adversários que atacam lançando livros, por exemplo, seu personagem passa a dominar esse mesmo ataque. Se enfrentar vários guerreiros que utilizam um poderoso golpe de espada, eventualmente também aprenderá essa habilidade.

Achei essa ideia extremamente interessante porque cria uma sensação constante de descoberta. Cada novo inimigo deixa de representar apenas um obstáculo e passa a ser também uma oportunidade de expandir seu arsenal.
Além disso, durante a exploração encontrei pergaminhos que podem ser equipados para modificar habilidades e criar novos combos, aumentando ainda mais as possibilidades de personalização do combate.
Já os equipamentos que consegui durante a Demo me pareceram apenas cosméticos. Não percebi mudanças claras nos atributos, embora exista a possibilidade de que o jogo esconda alguma mecânica que ainda não esteja evidente nesta versão.

Visualmente, False Hero aposta em um estilo simples, mas bastante agradável. A direção artística combina muito bem com a atmosfera melancólica do jogo e consegue transmitir aquela sensação de mundo decadente típica dos bons soulslikes. A trilha sonora e os efeitos sonoros também seguem essa linha: são discretos, mas cumprem perfeitamente seu papel sem tentar roubar a atenção durante a exploração ou os combates.
Outro ponto positivo é a localização para o português, algo que sempre facilita bastante para quem prefere aproveitar a experiência sem barreiras de idioma.
Infelizmente, nem tudo são flores.
Testei False Hero em um Lenovo Legion GO e a otimização ainda precisa de bastante trabalho. Apesar dos gráficos relativamente simples, foi necessário reduzir todas as configurações para o mínimo — mantendo apenas a resolução nativa — para conseguir jogar acima dos 30 FPS. Mesmo assim, pequenos travamentos apareceram durante a partida com certa frequência.
Por isso, pelo menos na versão Demo, não espere uma experiência ideal em dispositivos portáteis. Além do desempenho limitado, o consumo de energia também acaba sendo elevado, tornando difícil jogar por muito tempo apenas utilizando a bateria.
Naturalmente, trata-se de uma versão de demonstração, então há espaço para melhorias até o lançamento completo.
Vale o seu tempo?
Se você gosta de Dark Souls e procura um soulslike que tenta fazer mais do que simplesmente copiar a fórmula da FromSoftware, False Hero merece entrar no seu radar. O sistema de aprender habilidades diretamente dos inimigos traz uma identidade própria e deixa a progressão muito mais interessante do que eu esperava.
A Demo ainda sofre com problemas de otimização, especialmente em hardware portátil, mas o potencial está claramente ali. Se os desenvolvedores conseguirem melhorar o desempenho até o lançamento, False Hero tem tudo para agradar quem gosta de exploração, combates desafiadores e daquela satisfação única de finalmente derrotar um inimigo que parecia impossível.
HYPERWIRED chegou à Steam em 2 de julho como um shooter top-down 2D com elementos de roguelike, naves desbloqueáveis, geração procedural e um sistema central baseado em “plugue e tomada” para gerenciar recursos. A própria página do jogo já deixa claro o tom da experiência: aqui não basta atirar bem, é preciso se conectar, recarregar energia, administrar upgrades e sobreviver a uma ação que claramente aposta na pressão constante.
E é exatamente isso que define HYPERWIRED: ele não tenta ser um jogo gentil. É uma navinha fast-paced, com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo na tela, já na primeira fase, e isso deixa bem claro que não estamos diante de uma experiência para qualquer um — inclusive, eu me incluo nessa categoria. A premissa é simples, mas o jeito como ela é executada complica tudo de um jeito que exige reflexo, atenção e uma cabeça fresca para acompanhar a bagunça organizada que o jogo propõe.

Você está em uma espécie de arena e precisa ligar sua nave em tomadas de cores específicas antes de acessar a tomada final e passar de fase. Enquanto faz isso, minúsculas naves inimigas vêm na sua direção o tempo todo, e a sua resposta para sobreviver é um kit que mistura tiro, bombas, laser e gerenciamento de energia. Ainda tem a coleta de chips e baterias para melhorar a nave, embora eu seja sincero: essa parte eu não consegui entender direito. Também existem naves auxiliares que você recruta ao levá-las para uma tomada de cor específica, o que adiciona mais uma camada ao caos geral.
O jogo também trabalha com recursos que fazem diferença o tempo inteiro. Se eu não estiver esquecendo nenhum, são pelo menos quatro: vida, energia, munição e os escudos temporários. A vida cai a cada hit, a nave inicial tem quatro pontos, se acabar, game over sem dó. A energia é o seu combustível, se ela acabar você simplesmente para de se mover. Se a munição esgotar, você fica sem usar bombas. Além disso, existe um recurso de carga de emergência para situações em que a energia zera, o que ajuda um pouco, mas não transforma o jogo em algo mais fácil. Na prática, HYPERWIRED quer que você pense rápido o tempo todo — e eu honestamente não tive essa disposição toda.
Também tem a questão do controle. Eu não sou especialista em jogos feitos para controle, e a dinâmica de mover e atirar usando sticks definitivamente não é para mim. Mesmo tentando no teclado, não tive muito mais sucesso. São coisas demais para gerenciar ao mesmo tempo, e o jogo parece ter sido desenhado para quem gosta de encarar esse tipo de desafio sem piscar. Para quem curte esse nível de exigência, beleza. Para mim, foi pesado demais.

Mas HYPERWIRED tem identidade. O cabo que prende a nave à tomada muda a lógica do combate e deixa tudo mais tenso, e a ideia de administrar energia, armas, posicionamento e objetivo ao mesmo tempo dá ao jogo uma personalidade própria. Não é só um shooter comum com visual retrô. O jogo parece até mais tático do que a média dos shooters por causa das mecânicas, além do pixel art limpo e do sistema de slow-motion, que ajuda bastante a respirar no meio da confusão.
Visualmente, não tenho grandes reclamações. Os gráficos são decentes, fazem o serviço e ajudam o jogo a manter sua leitura mesmo com tanta coisa acontecendo na tela. A trilha sonora e os efeitos sonoros são simples, mas funcionais. Nada aqui tenta roubar a cena da jogabilidade; tudo existe para sustentar a ação e a pressão constante. E, nesse sentido, HYPERWIRED funciona.
No fim, é um jogo bem otimizado, leve e com uma proposta clara: agradar quem gosta de dificuldade, gestão de recursos e reflexo rápido. Para mim, ele foi difícil demais e até cansativo em alguns momentos, mas isso não muda o fato de que há personalidade aqui. Eu deixo HYPERWIRED para as mentes mais ágeis, mais frescas e mais determinadas a encarar um bom desafio. Para quem gosta desse tipo de correia apertada no espaço, ele tem cara de jogo para render bastante.

Vale o seu tempo?
Se você gosta de shooter difícil, mecânica diferente e não se incomoda com uma curva de aprendizado agressiva, sim. Se a ideia é apenas relaxar e sair explodindo inimigos sem pensar muito, melhor passar longe. HYPERWIRED não quer ser confortável — e justamente por isso ele chama atenção.
Nem toda semana traz grandes lançamentos, mas algumas conseguem reunir uma seleção curiosa de experiências cooperativas que vale a pena conhecer. Entre os títulos que chegaram ao Steam nos últimos dias há espaço para ação frenética, estratégia, sobrevivência, partidas competitivas e até uma boa dose de humor nonsense. O mais interessante é que cada jogo aposta em uma proposta completamente diferente, mostrando como o gênero cooperativo continua encontrando novas formas de reunir amigos.
Quem abre a lista é Fascist. Apesar do nome polêmico, trata-se de um FPS com elementos de roguelike e tower defense que aposta em uma sátira exagerada. A ação acontece em arenas onde os jogadores precisam resistir a ondas sucessivas de inimigos enquanto fortalecem suas defesas e administram recursos. O ritmo acelerado faz com que praticamente não exista tempo para respirar, e a proposta funciona justamente porque não tenta ser levada a sério. O visual em baixa resolução reforça esse clima arcade, enquanto a cooperação se torna essencial para sobreviver às partidas mais longas. É uma experiência caótica, divertida e perfeita para quem procura partidas rápidas com bastante ação.

Se o primeiro jogo aposta em adrenalina, o próximo segue um caminho completamente diferente. Eternal Sword Tomb entrega uma aventura baseada em texto inspirada no universo xianxia, colocando o jogador para construir uma seita, evoluir seus discípulos e atravessar incontáveis reencarnações em busca da imortalidade. A ausência de gráficos elaborados pode causar estranheza nos primeiros minutos, mas logo fica claro que toda a profundidade está nas decisões estratégicas. A quantidade de sistemas interligados torna a progressão bastante recompensadora, criando aquela sensação de que sempre existe uma nova combinação ou um novo caminho para experimentar. É um título pensado para quem gosta de planejamento e evolução constante, muito mais do que reflexos rápidos.

Depois de uma experiência tão estratégica, a seleção volta a acelerar com Bugscraper. O shooter em pixel art coloca até quatro jogadores para enfrentar enxames de criaturas enquanto sobem uma gigantesca torre repleta de melhorias, armas e chefes. A apresentação colorida contrasta com a intensidade dos confrontos, que exigem movimentação constante e boa coordenação entre todos os participantes. Cada novo andar traz habilidades capazes de transformar completamente uma partida, incentivando diferentes estilos de jogo a cada tentativa. Mesmo com uma estrutura simples, o resultado é um cooperativo extremamente dinâmico, daqueles fáceis de aprender, mas difíceis de largar depois que o grupo encontra o ritmo.

Na sequência, a lista muda novamente de direção com School Crisis. Em vez de apenas derrotar inimigos, aqui o objetivo é invadir um colégio feminino, cumprir missões e escapar do diretor, controlado por outro jogador. A proposta assimétrica cria situações imprevisíveis o tempo todo, já que invasores e perseguidor possuem objetivos completamente diferentes. O estilo visual inspirado em animes ajuda a reforçar o tom descontraído, enquanto as partidas acabam gerando momentos espontâneos de perseguição, furtividade e muito improviso. É um daqueles jogos que dependem mais das histórias criadas entre amigos do que de uma campanha tradicional, o que aumenta bastante seu potencial de diversão em grupo.

Fechando a semana aparece WinBolo, uma releitura moderna de um clássico multiplayer focado em batalhas de tanques. Em vez de apostar apenas em tiros, o jogo combina combate com controle territorial, construção de estruturas e gerenciamento do mapa. Capturar bases, abrir caminhos, posicionar minas e fortalecer defesas faz parte da estratégia para dominar a ilha antes dos adversários. A perspectiva superior e a jogabilidade direta lembram títulos clássicos do PC, mas a modernização torna tudo mais acessível para novos jogadores. O resultado é um multiplayer que recompensa planejamento tanto quanto habilidade, oferecendo partidas bastante diferentes conforme a estratégia adotada por cada equipe. E ainda é grátis!

Mesmo sem grandes produções AAA na lista, a última semana mostrou como o Steam continua recebendo experiências cooperativas criativas para praticamente todos os gostos. Seja enfrentando hordas de inimigos, administrando uma seita, escalando uma torre infestada de monstros, fugindo de um diretor implacável ou disputando território em batalhas de tanques, há boas opções para quem prefere jogar acompanhado. É justamente essa variedade que torna a leva da semana interessante, oferecendo experiências que dificilmente competem entre si, mas que conseguem encontrar espaço na biblioteca de qualquer fã de jogos cooperativos.
A semana foi movimentada no Steam e trouxe uma leva de lançamentos gratuitos bem diversificada. The Laws of Probability (3 de julho) é uma experiência narrativa curta e intensa em que você joga como Adam, um garoto de 13 anos que precisa repartir moedas raras de forma dolorosa. O game é minimalista e pesado, invertendo mecânicas tradicionais de jogo para mostrar o peso das escolhas.

Esse clima sério dá lugar à energia frenética de Fleck & Grus (3 de julho), um plataforma 2D de precisão em que você ajuda Grus a escoltar seu amigo Fleck por fases cheias de pulos difíceis, mecânicas de pulo duplo e armadilhas mortais. Enquanto o primeiro jogo é melancólico, Fleck & Grus é colorido e rápido, exigindo reflexos precisos do jogador.

Se Fleck & Grus é ação pura, o próximo jogo da lista já traz uma pegada mais estratégica. Archmage Idle (2 de julho) é um RPG incremental no estilo idle, em que você assume o papel de um arquimago que comanda uma guilda de magos. Suas habilidades reforçam a linha de frente e linhas de suprimento, multiplicando os ganhos umas com as outras mesmo quando você está offline. Em outras palavras, é um jogo de gestão de recursos mágico que continua progredindo sozinho.

Do clima de fantasia mórbida e mana que circula em Archmage Idle, pulamos para algo bem relaxante. Frocat Puzzles (1 de julho), em acesso antecipado, convida você a montar quebra-cabeças com ilustrações de artistas ucranianos ao som de belas trilhas originais. É um jogo calmo de quebra-cabeça ilustrativo – cada imagem dividida conta uma pequena história conforme você encaixa suas peças.

A transição para o próximo é fácil: saindo do ambiente suave de Frocat Puzzles, entramos em Procelio (30 de junho), um game multiplayer de construção de veículos e tiro ambientado em Marte. Você constrói seus próprios robôs de combate no espaço e depois pilota essas máquinas em combates PvP na superfície vermelha. É um shooter de combate veicular com cara futurista e elementos de simulação.

De Marte de volta às profundezas do oceano, Blue Oath (30 de junho) chega com uma proposta inusitada: você é um peixe-espada guerreiro em uma aventura solo de ação e aventura. Com ataques de investida você pode espetar inimigos e objetos em seu focinho, empilhar e arremessar tudo como armas ou ferramentas. É um jogo hack and slash subaquático com visão de cima; apesar do visual estilizado e colorido, Blue Oath exige agilidade no combate.

Seguindo na onda de ação, mas mudando para estratégia clássica, WinBolo (29 de junho) revive um clássico dos anos 1980. Trata-se de um jogo de tanque top-down para até 16 jogadores, focado em capturar bases e campos fortificados, plantar minas, derrubar árvores e construir estradas e muros pela ilha. WinBolo é um old-school de estratégia em tempo real, reconstruído em código aberto e multiplataforma.

De volta ao estilo investigativo, o penúltimo lançamento é REWIND (29 de junho), uma experiência hardcore de detetive baseada em texto. Você recebe quase 100 pistas para analisar em um caso misterioso e precisa deduzir a solução. Sem gráficos complexos, REWIND aposta na lógica e no raciocínio – um jogo de mistério e quebra-cabeças no formato de visual novel.

Por fim, fechamos a semana com Oblivion Maiden (29 de junho), um adventure de exploração com pixel art. O jogo se passa na mística Academia St. Dorothia, uma escola mágica escondida na floresta. A história começa quando você conhece Lulunya e segue por fenômenos misteriosos e mundos oníricos. No estilo point-and-click top-down, Oblivion Maiden combina aventura, elementos de romance visual e mistério em uma trama rica.
Essa miscelânea de lançamentos grátis mostra como os títulos indie podem surpreender com estilos muito diferentes. Do drama narrativo de The Laws of Probability às batalhas aquáticas de Blue Oath, passando por puzzles artísticos e combates veiculares, há algo para todo tipo de jogador. Vale a pena explorar cada um desses lançamentos da semana e aproveitar conteúdo variado sem gastar nada.
Entre 22 e 28 de junho de 2026, a Steam recebeu uma daquelas levas de lançamentos que fazem valer a pena ficar de olho na aba de novidades. Tem submarino disputando cavernas geladas na Antártica, o criador de um RPG de 1999 voltando para restaurar o próprio jogo, patos guiados a base de grito e até um MOBA-shooter em realidade virtual. Vamos passear por todos eles.
Se tem um jeito certo de abrir essa lista, é com o lançamento mais ambicioso tecnicamente: STARVAULT, da Theia Games. É um MOBA-shooter em VR — sim, essa combinação existe agora —, com partidas 5v5 que misturam a lógica de lanes e torres com a ação frenética de um hero-shooter em primeira pessoa. O pacote de lançamento já inclui todos os heróis disponíveis, um battle pass premium e créditos para gastar dentro do jogo — sinal de que a Theia está pensando em sustentar isso por um bom tempo.

Saindo da realidade virtual e voltando para experiências mais “tradicionais”, Nuclear Epoch (Cat Play Studio) troca o hero-shooter pela sobrevivência: você e seu grupo constroem uma base em mundo aberto e, de vez em quando, arriscam invadir instâncias mais perigosas atrás de loot valioso — no estilo extraction shooter, onde morrer significa perder tudo que você carregava. O detalhe interessante é que os itens raros do jogo se integram ao mercado da Steam, então aquele fuzil lendário que você encontrou pode, literalmente, virar inventário de troca real.

Falando em coordenação sob pressão, poucos jogos da leva pedem tanto trabalho em equipe quanto FULL METAL COFFIN, dos estúdios Titanite, Mantle Array e Xenith. É um simulador de submarino em que até 4 jogadores dividem o comando de um único submarino, disputando o controle de cavernas alagadas sob o gelo antártico. Cada pessoa assume uma função — sonar, torpedos, navegação — e o jogo chega a simular ricochete de pings de sonar nas paredes das cavernas, então saber “ouvir” o ambiente é tão importante quanto atirar.

Se a tensão claustrofóbica de um submarino não for suficiente, OK👍 Boomer (Pugsy Studios, ainda em Acesso Antecipado) leva o desconforto para outro terreno: o de um horror cooperativo para 4 jogadores em que uma equipe de “entusiastas de tecnologia analógica” mergulha nas profundezas assustadoras da internet. A sanidade do grupo se deteriora conforme vocês avançam — passos que não deveriam existir, amigos que de repente parecem inimigos. A saída, ironicamente, é usar tecnologia bem antiga para “purgar” os bugs que infestam esse mundo digital corrompido.

Depois de tanta adrenalina, vale desacelerar um pouco com Enarian Online, um ARPG baseado em texto — sim, na linha dos MUDs clássicos — mas com progressão de RPG moderno: cinco classes, 50 níveis, 9 reinos, até 3 jogadores online. A ideia é que qualquer classe possa aprender qualquer habilidade, mas só brilha de verdade nas mãos de quem tem afinidade real com ela. A interface foi pensada para que o combate por texto seja ágil, não uma parede de texto para ler passivamente.

Por falar em resgatar fórmulas antigas, nenhum lançamento desta leva tem uma história tão peculiar quanto DarkStone Restoration. É o RPG de ação de 1999 da Delphine Software voltando às mãos do próprio criador, Paul Cuisset, reconstruído do zero para rodar bem em PCs modernos. Não é um remake genérico — é uma restauração cuidadosa, com uma novidade e tanto: o “Buddy mode”, que permite segurar um botão para assumir o controle direto do seu parceiro em pleno combate, algo que o jogo original de 1999 jamais ofereceu. Tem ainda couch co-op completo, com save compartilhado entre dois jogadores.

Trocando RPG por puzzle, Quadrix (VC Production) pega a lógica tradicional de “limpar linhas” e vira do avesso: em vez de só eliminar blocos, você reescreve as regras do próprio tabuleiro com sinergias de cartas caóticas, revertendo colapsos e encadeando multiplicadores que desafiam a física do jogo. São 100 níveis de campanha, 6 modos, e co-op ou PvP tanto local quanto online.

Se você prefere ação non-stop sem pausa para pensar em regras, Sineus Arena Survivors (Sineus Games) é um bullet heaven em terceira pessoa que expande a fórmula “survivors” clássica com construção de base e defesa de torre em tempo real, tudo acontecendo simultaneamente, sem pausa para decisões. No centro da arena fica o Farol: enquanto ele resistir, o time de 2 a 4 jogadores ainda tem chance.

Depois de tanta correria de horda, Frog Climb (Çınar’s Art) desacelera o ritmo com uma escalada estilizada: em vez de seguir uma rota fixa, você constrói seu próprio caminho até o topo de terrários, usando uma língua de sapo para puxar itens e estruturas à distância. Dá para escalar sozinho ou em co-op, e cada bioma traz armadilhas e upgrades permanentes comprados com pérolas coletadas pelo caminho.

A escalada continua — literalmente — em Venture, projeto da Venture Studios ligado à USC Games. Dois astronautas acordam num planeta alienígena com poucos minutos de oxigênio, e a saída é escalar penhascos com cordas posicionadas estrategicamente e reabastecer o ar em flores alienígenas brilhantes. Um personagem constrói plataformas e cordas longas; o outro tem jetpack e pulo duplo. Nenhum dos dois se vira sozinho — e é exatamente esse desequilíbrio que faz o co-op funcionar.

Da escalada vertical para a velocidade horizontal: HOP-CO-OP (KS Studios) é puro parkour em primeira pessoa, focado em bunny hop — acumular velocidade encadeando pulos sem nunca soltar o acelerador. Dá para competir em corridas, sabotar rivais com power-ups (raios congelantes, minas, bombas de tinta), disputar Bomb Tag ou construir seus próprios mapas em um editor integrado.

Se até aqui a lista foi dominada por reflexo e coordenação, Quack Quack Up (顽核社 FuncoreClub) muda completamente o approach: o controle é a sua própria voz. Quanto mais alto o grupo gritar, mais rápido o bando de patos corre — sem combos de botão, só sussurros cuidadosos ou berros desesperados guiando até 4 jogadores rumo ao abismo (ou para longe dele). Cada cenário, de encostas a desertos, muda a física de forma imprevisível.

Na mesma pegada de jogo de festa, mas com um giro nostálgico, Scales of Silence (Aggro Games, Acesso Antecipado) reinventa o Snake clássico como confronto local: comprimento é vida, e cada golpe sofrido custa um pedaço do seu rabo. Até 8 jogadores dividem a mesma tela em batalhas PvP, com uma campanha cooperativa para até 2 jogadores. São 30 serpentes jogáveis e dez biomas que alteram as regras conforme você avança.

E para fechar, dois extremos completamente opostos de ritmo. Deliverage (Majao Games) é hardcore por natureza: um jogo de entregas em mundo aberto onde cada carregamento é uma aposta, já que outros jogadores podem te emboscar para roubar sua carga. Formar comboios com amigos ajuda a dominar rotas comerciais, mas a economia inteira é guiada pelos próprios jogadores, com preços que sobem e descem conforme oferta e demanda reais.

Já Outta Space (Jebi Studio) encerra a lista no tom mais tranquilo possível: um idle game minimalista em que uma gatinha pixelada viaja pelo espaço a partir do canto da sua tela, enquanto você trabalha ou joga outra coisa. Cada tecla digitada abastece o propulsor da nave; cada clique gera créditos. Se um amigo da Steam estiver por perto, as naves aparecem lado a lado por um tempo antes de seguir caminhos diferentes — um “co-op” quase acidental, discreto, do jeito que só um jogo assim conseguiria propor.

Vale o lembrete de sempre: como quase todos esses jogos acabaram de sair, muitos ainda seguem em Acesso Antecipado ou recebendo os primeiros ajustes pós-lançamento. Vale a pena conferir a página de cada um antes de decidir, e claro, jogos co-op só fazem sentido jogando com a galera e não adianta cada um comprar um diferente né?